11 de maio de 2009

QUE LIMITES?

Os meus limites?

Nao me atemorizam! Não partilho dessa ideia preversa segredada ao ouvido de que devo ser perfeito sempre e em todos os momentos.

Antes pelo contrário. Fazem-me falta!

Permitem a quem me ame, acolher-me!:
Permitem a quem me ame, fazer qualquer coisa de bom por mim! Partilhar caminho comigo.

São eles que me tornam pequeno e fazem de ti grande
São eles que me permitem ser amado.



Sendo assim...

Claro que vou tentando melhorar, mas...

Como poderia viver mal com eles? Por certo viveria pior se não os tivesse!

21 de fevereiro de 2009

EPÍLOGO- ALTERFONIAS

Cada novo percurso implica que se deixe para trás um pouco daquilo que somos e que um dia demos...

Nada do que fiz me retem, nada me prende...
As glórias e as derrotas passadas seriam só poeira no meu olhar!

Tempo de soltar amarras e me comprometer com os novos rumos a que a vida me confiou...

Rostos, almas que chamam por mim!
Alterfonias

E aos que partilharam comigo este espaço obrigado
Pelo que cresci,
Pelo que me deram,
Por tudo aquilo que para sempre carrego em mim!

18 de dezembro de 2008

PORQUE LUTAS TANTO?

Recebi de uma amiga...
Tinha de publicar, não sendo meu, explica-me alguma coisa de mim


A rapariga da foto chama-se Katie Kirkpatrick, de 21 anos. Ao lado dela está o seu noivo, Nick, de 23. A foto foi tirada pouco antes da sua cerimónia de casamento, realizada em 11 de Janeiro de 2005 nos Estados Unidos. Katie tem um tumor em estado terminal e passa horas por dia em tratamento. Na foto Nick aguarda pelo final de mais uma destas sessões.


Apesar de ter de recorrer a morfina por sentir muita dor e de vários dos seus órgãos estarem em falência, Katie decidiu casar-se fazendo questão de cuidar ao máximo de todos os detalhes. O vestido teve que ser ajustado várias vezes, pois Katie continua a perder peso todos os dias devido seu cancro.

Um dos acessórios invulgares da festa foi o tubo de oxigênio da Katie. Acompanhou a noiva em toda a cerimónia e durante o copo de água. O outro casal da foto são os pais de Nick, emocionados com o casamento do filho com a mulher que namorou desde a adolescência.

Katie, sentada na sua cadeira de rodas e com o seu tubo de oxigênio, ouve o marido e os amigos cantarem para ela.


A meio da festa Katie pára para descansar. A dor não lhe permite que fique de pé por muito tempo.

Katie morreu 5 dias após o casamento.


Esta história corre pela internet, recebi-a por mail.
As fotos venceram um concurso americano de jornalismo.
Ver uma jóvem tão debilitada vestida de noiva e com um sorriso destes nos lábios...

What else!
Amanhã é outro dia...

E andava eu aqui com beatices a questionar-me sobre o sentido do Natal
Natal é vida...
Desta que me corre nas veias
Dessa que te corre nas veias

30 de novembro de 2008

EM MOTE PARA O NATAL

No meio da minha pouca Oração;
Ressoou-me nestes dias, no coração, em tom de lenga-lenga
esta que aprendi em pequeno.

Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz !
Onde houver ódio, que eu leve o Amor
Onde houver ofensa, que eu leve o Perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a União
Onde houver dúvidas, que eu leve a Fé
Onde houver erro, que eu leve a Verdade
Onde houver desespero, que eu leve a Esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a Alegria
Onde houver trevas, que eu leve a Luz.

Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado
compreender que ser compreendido
amar que ser amado

Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a VIDA ETERNA !

Hoje começa o Advento....
Este Natal não quero inovar
Tão só reproduzir no meu quotidiano
Caminhos que outrora tantos partilharam

Amén

22 de outubro de 2008

CONSTRUÇÃO

Minha querida casinha...

Dei-te Água e Luz;
O Gás estará por dias...

Bem que te vou medindo;
Bem que te vou limpando;
Bem que te vou mobilando;

E pouco a pouco, respiras e sorris!
Mas ainda te falta qualquer coisa essencial:

Difícil, difícil tem sido dar-te vida!
Aos teus silêncios
A tua candura
A tua nudez

Sabes...
Uma casa não é feita para ser possuída,
Tem alma própria e personalidade!
Vive para que seja habitada!

15 de outubro de 2008

PARA LÁ DO SOL POSTO

Onde o dia vai longe e a escuridão impera,
Naquele espaço de infinita solidão em que- irremediavelmente só- estarás sempre por conta própria,
sem apoios e sem amparos...
Vem matreira a dúvida e a insónia.
Na noite da alma, tudo se questiona, tudo se pesa, tudo se equaciona, tudo se mede...
Perde-se o referencial e o sentido do absoluto.

E Só (sozinho/simplesmente) ter que de novo acreditar.
Acreditar que felicidade é luz que- na penumbra- brota e irradia do interior!
Dessa nascente infindável que é a entrega a quem nos move, a resposta a quem chama por nós!

Luminosamente cego! Envolto num absoluto e inabalável Confiar!
Sem questionar, sem olhar a pesos, equações ou medidas.
Gratuito, insolente e irreverente diante daquela tenebrosa cegueira de um eventual deve e haver!


É no meio da escuridão,
entre inseguranças e incertezas,
que é verdadeiramente belo acreditar!

E assim;
Porque Só, do mais profundo de mim:
Esta insónia é Só para Ti.
Para ti que reconheces precisar de mim
Para ti que carente/doente teimas em chamar por mim

4 de outubro de 2008

PARA TI

Quando te candidatares seriamente para tentares ser namorado de alguêm, toma em consideração as seguintes ideias:
  • Os sapatos querem-se engraxados, o cabelito é mesmo penteadito e os dentes lavados
  • Não se suja o espelho da casa de banho com água quando se lava as mãos
  • Antes de olhares para os seus bonitos olhos, olha para a forma como ela tem as tampas da sanita
  • Na cozinha, fazes tudo até ela perceber que a tua imensa boa vontade ultrapassa em muito o teu pouco jeito (continuo a querer aprender)
  • No tapete do quarto, talvez os boxers ou as calças, nunca os sapatos da rua :p

As coisas sérias, essas guardo-as para ti, C.

Num próximo episódio, 10 mitos sobre mulheres

2 de outubro de 2008

QUERO RIR DISTO

De vez em quando acontece,

Quando eu seguro da minha incerteza tenho a certeza absoluta daquilo que proponho a um doente e ele olha para mim de cima a baixo e duvida do médico que tem à frente dos olhos.

Por causa disto, tenho-me perguntado várias vezes: algum miúdo médico no seu perfeito juizo propõe um ciclo de quimioterapia sem ter certeza absoluta do que diz?

Também sei que a quimioterapia (e já agora o paracetamol) podem matar o doente...

Detesto quando duvidam das minhas poucas ( e arduamente conquistadas) seguranças.
Tou a ficar velho...

E já agora,
Quando é que me vou rir de tudo isto?

13 de setembro de 2008

OBJECTOR DE CONSCIÊNCIA

Já me havia cruzado com várias objecções de consciência nestes dois anos de medicina. Doentes que se recusaram a ser picados por estarem fartos, outros que se recusaram a fazer transfusões sanguíneas por convicção religiosa só para referir as situações mais frequentes.

E então dou por mim, a falar uns bons três quartos de hora com um doente para perceber aquilo que na minha cabeça não fazia sentido.... Este recusava-se a ser tratado com medicamentos administrados por penso cutâneo.

Estranho e insólito... Tão insólito que ainda pensei que o doente me estivesse a tentar dizer que era alérgico ao medicamento em questão ou ao próprio penso... Mas não, era muito mais simples e humano que isso... Os pensos faziam-lhe mesmo confusão na cabeça! Tê-los no corpo não era coisa para aquela alma.

E sai da sala com um sorriso de orelha a orelha...
Por ter percebido este pequeno detalhe tão importante para aquela pessoa.
Porque não há mesmo necessidade de sobrecarregar aquele doente com desconforto gratuito.
Por ter aprendido que as vezes, para confortar, importa mais escutar um pouco do que fazer muito.

BANHA DA COBRA

Tantas vezes olho para os meus predecessores, feiticeiros e bruxos medievais, xamãs indios, curandeiros africanos e outros tantos que tais, com um tom prepotente de bata candida, resplandecendo ciência e conhecimento.

E então, certo dia- naquele dia- tenho dois doentes na enfermaria- daqueles que hospedam em si tumores altamente malignos e avançados- internados por problemas secundários com solução óbvia. Situação habitual, não fosse um diabo de outra qualquer doença lembrar-se naquele dia de reclamar-lhes a alma diante dos meus olhos.

A um peço uma TAC, ao outro um electrocardiograma e umas análises.... Resultados óbvios: um AVC para um, um enfarte para o outro. E eu deslumbrado com a facilidade com que máquinas e tecnologias me abrem os olhos!

E toca de pensar em tratá-los...
Toca de curá-los que o lugar deles é em casa, com família e amigos.
E vai dai, rever o processo de cada um deles...
Desgraça!
Nenhum pode ser tratado: a doença, a quimioterapia e (quem sabe) a velhice roeram-lhes os corpos.

Se os tratasse, qualquer um deles morreria da cura...
Se não os tratasse, esperar que aqueles diabos não os levassem...

E naquela noite, pequenino e frágil, rebolei na cama sabendo que, fiel a um limitado Primum Non Noscere que um dia jurara, estava a tentar domesticar leopardos com pratinhos de leite;

Ainda que seja possivel chegar à percepçaõ do ínfimo detalhe daquilo que corre diante dos nossos olhos, permanecerá sempre uma ínfima centelha de Vida e Verdade que, orgulhosa e irreverente, nos escapará das mãos! Serei mesmo, por detrás de tanta ciência, muito mais do que aqueles que me precederam? Serei alguma vez menos do que aqueles que um dia me sucederão... Quantos xamãs, curandeiros e bruxos terão chorado os seus próprios limites neste mesmo compromisso de um dia serem rebeldes com uma causa?

7 de setembro de 2008

PÉROLAS

É gira a quantidade de propostas a que o trabalho me expõe.
Umas mais lícitas outras menos lícitas...

Repugnam-me particularmente aquelas lamúrias pegajosas e viciadas de quem acredita que receberá mais se der o que não deve para exigir o que não pode. A famosa cunha que se imiscui ao meu saudável prazer de me dar eu próprio com independência às necessidades daqueles que me procuram. Sou eu que me dou! Ninguem me tira aquilo que não quero dar...
Como se se esquecessem que são meus patrões, que nos seus impostos me pagam o que me devem, tão só o meu justo sustento.

Mas no meio de tanta coisa que me incomoda, às vezes- como um recolector de pérolas que vasculha ostra atrás de ostra um oceano de cascas- caem-me nas mãos pequenos tesouros que, por serem gratuitos e desinteressados, me enchem de alegria e felicidade. Gorjetas que o meu ordenado não tem como me pagar e os favores não tem forma de me dar.

Curiosamente, surgem todas quando os doentes me viram as costas, naquele momento mágico da alta, em que recuperam a independência e a gratuicidade de que necessitam para me julgar como Homem.

O doente que entrando a medo e conflituoso no serviço- aquele que me comprimentou com um ríspido "Onde é que assino os papeis para me ir já embora?"- uns dias depois, nos diz em surdina a todos que tem uma casa no Brasil e que estamos todos convidados para lá passar uns dias.

Um certo filho de uma doente, hipocondriaco do mais alto grau, que todos os dias me chagava o juizo com as mesmas perguntas ácerca do estado de saúde da mãe... Aquele que no dia em que viu a mãe ir para casa me perguntava, liberto dos seus medos, de sorriso franco montado e com um aperto de mão caloroso e agradecido, se fazia consulta no sector privado.

Os dois estenderes de mão agradecidos daquela noite de urgência: o do filho que, por causa dos meus floreados técnicos, passou doze horas a fazer-me companhia nas urgências centrais vigiando a sua mãe entre um "desculpe" e um "tem mesmo de ser" que eu volta e meia lhe lançava desconfortavel e o do marido da senhora que em dois minutos foi admitida nos cuidados intensivos com o diagnóstico de enfarte. Tão dispares nas circunstâncias, tão próximos no momento e na intensidade do seu toque.

A todos vocês o meu obrigado...
No silêncio, recuso todas essas ofertas
Mas na minha omissão, saibam que do fundo do coração já tive a minha paga:

As verdadeiras pérolas não se procuram;
Encontram-se!

Os verdadeiros tesouros não se reclamam
São-nos dados!

30 de agosto de 2008

FIDELIDADE

Vais levar-me este doente!
E com ele a minha inocência...
E com ele as lágrimas que me vão correndo pela cara...

Pior...
Usaste-me;
Fizeste de mim anjo negro da morte:
Entrou pelo meu gabinete saudável,
Frágil, confiou em mim,
Vasculhei-lhe as entranhas,
Nas suas profundezas, reconheci-te mudo, cruel e indiferente.
E desconsolado
Tornei-me rosto de um prenuncio de morte.

Mas sabes...
Não me demoves... Detesto-te...
Perseguir-te-ei com todas as minhas forças,

E toda a tua maldade esgota-se e morre aqui!
Não me perturbas mais que isto.
Não me perturbaras mais que isto.
Não o consinto e nunca mais o consentirei...


Sim...
Levar-me-às esta alma um dia...


Mas ei de ta vender cara!:

Oxalá a cada dia que lhe sobre,
A minha magia de quimio e morfina
Lhe conceda, confortável, um sorriso tenaz e impertinente

E, a mim...
Neste papel de testemunha por vezes tão impotente
esta fidelidade resoluta e risonha de a cada dia
na eminencia de poder mesmo ser o último
Vivê-lo, esplêndido, como se fosse o primeiro!

6 de agosto de 2008

ELOGIO À MELANCIA

Gosto do teu sabor doce avermelhado, de água fresca temperado.


E nas tantas gentilezas que, contigo, a vida me vai dando... Momentos de nada logo logo se tornam vidas encetadas; a viva voz, caminhos lentamente partilhados.


Num comer colorido de fugidias saladas, num sofrego beber de chá verde naquele princípio de tarde chorado.


Testemunhando, as luzes nocturnas das colinas da cidade sorriem, ora cintilando sobre as toscas tascas de bairro ora dançando sob a vista de cosmopolitas miradouros.


Momentos pelas salinas e pelo mar suavemente salgados, no areal pelo sol de verão ternamente fumados. Notas cantadas pela sardinha, naquela voz arrastada de fadista matrona em azeite embebedada.


E às grainhas, que dos nossos sonhos dispersamente vamos semeando, de pança cheia mas com a saudade desconsolado, o meu bom dia!

Num simpático e terno muito obrigado!

4 de agosto de 2008

CONTINUIDADE

Novos paradigmas na vida...
Novos desafios de crescimento!
Inovar? Sim!, com certeza...
Mas nunca chamar de bom àquilo que é mau nem tão pouco mau àquilo que é bom...
Por isso, tentar sempre ser fiel aos mesmos princípios!
Crescer na continuidade!
Reconhecer o apelo à docilidade diante da vida!
Era docil diante do estudo nas vésperas dos exames;
Quero ser docil diante do trabalho nas infinitas horas de banco.
Sem mas, sem amuos, sem indisposições, sem fitas.
Tudo fazer como se a vida dependesse de mim!
Porque a vida é um bem finito e precioso! Muito curta para se perder tempo no supérfulo da maldade e da maledicência...
Porque se me demitir da minha vida quem a viverá por mim?
Reconhecer que muito pouco depende de mim e dos meus méritos!
Ter ficado boqueaberto pelas notas que me colocaram um dia em medicina e desatar a dar graças a Deus.
Procurar nos próximos dias maravilhar-me com os milagres que seguramente a vida me colocará diante dos olhos... Porque medicina, aos meus olhos, será sempre paliar e confortar e curar permanecerá um mistério fantástico que em muito me transcenderá e alegrará.
Procurar mais perdoar e acolher do que magoar e exigir!
Seremos sempre uns para os outro...
Mas assim como somos...
Antigos colegas de faculdade; novos médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.
Pequenos tissões de perfeição envoltos em cinza de maldade.
Não tenho como me maravilhar com o rubor da tua (minha) perfeição se não souber soprar primeiro a cinza da tua (minha) maldade.
Teimar em relativizar o resultado diante do percurso!
Nem sempre o consegui fazer, mas sempre que o fiz fui muito feliz.
Na alegria de bem fazer, não tanto por aquilo que se consegue, mas sobretudo pelo gozo que dá ao ser feito.
Na segurança de saber pela experiência que percursos correctos geram, por norma, bons resultados.
Negar o meu apelo ao perfeccionismo e egoismo!
Porque teimará em ser tão falta de caracter desprezar hoje as minhas horas de ócio e descanso- aquelas que pertencem àqueles que amo- como o foi outrora, naqueles dias em que nem sempre soube prescindir do superfulo vazio de sentido que me oprimia no meu trabalho.
E sobretudo acreditar, nas dúvidas, que és Tu, meu Deus, que vens ao meu encontro, que me amas primeiro e que me conduzes

15 de julho de 2008

VENCER?

Um bom projecto de vida?

Que na hora da morte, pela nossa acção, o rosto de todos aqueles que amamos carreguem apenas rugas de expressão bonitas...

Isso seria seguramente vencer a vida...

13 de julho de 2008

PRO VITA

“Doutor, tenho mesmo de fazer esses tratamentos todos?”-Dizia-me o meu doente num tom seguro. -“O que eu queria mesmo é que me deixassem em paz ir comer leitão com os meus filhos e netos”.


E eu, bem protegido pela minha bata, por trás da minha secretária questionando atónito aquela afirmação que me dilacerou o coração. Bem sabia que aquele homem teria semanas de vida se recusasse a quimioterapia.


Mal percebia eu que à minha dolorosa proposta de tratamento, ele ripostava com uma proposta irreverente e desafiante de vida. Na eminência da morte remetia-me para tudo aquilo, que um pouco pelo desejo infantilmente romântico de curar e salvar vidas havia, tantos anos, deixado para trás.


Esquecemo-nos tão depressa daquilo que vale mais, daquilo que nos conforta e enche o coração. Continuamos a trocar o sorriso dos nossos filhos e as suas brincadeiras por mais meia hora de televisão, o abraço cúmplice dos nossos pais por umas horas extraordinárias de trabalho e um punhado de euros, o beijo consolador da nossa namorada pelo perfeccionismo de meio ponto num exame.


E diante da eminência da morte do meu doente… diante desta mesma eminência da minha própria morte de que me vale tudo isto? E revisitei os meus pais e os meus avôs, os meus irmãos e os meus sobrinhos… E fiz-me humilde e percebi que um bom pedaço de mim se deve a eles e outro se fez neles. E percebi que aquele Homem nunca faria a quimioterapia que lhe propunha. Não tanto porque não quisesse curar-se, sobretudo, porque do alto dos seus, muito leves e vividos, oitenta e muitos anos, sabia perfeitamente o que na vida valia mais.


E hoje te pergunto, diante do imediato da tua vida… Com que olhos tens visto aqueles que Amas? Com os olhos inocentes da entrega alucinada?


Não esperes por amanhã! Só por hoje levanta-te, vai comprar os tais frangos a que te furtas há tanto tempo… Pega na tua mulher, na tua namorada, nos teus netos, nos teus filhos, nos teus sobrinhos ou eventualmente nos vizinhos que todos os dias te vão aturando e com eles alegra-te por este dom de nunca caminhares sozinho. Celebra a tua vida! Homenageia a do feliz Senhor João (ou talvez fosse António) que, na sua irreverência, provavelmente já partiu.

DE VOLTA

Pois, pois...

Depois de muitas hesitações e um recentrar de percurso...

Que melhor forma de recomeçar do que tentando ser fiel áquilo que quero ser:

As palavras não são minhas, quem me dera tomá-las a cada segundo conseguindo coloca-las na minha vida e naquela dos que amo...

"Aspirai, porém, aos melhores dons. Aliás, vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa todos os outros.
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita.
O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas terminará e a ciência vai ser inútil. Pois o nosso conhecimento é imperfeito e também imperfeita é a nossa profecia. Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior de todas é o amor."

1ª Carta aos Coríntios 12,31.13,1-13.

11 de maio de 2008

DE FERIAS

New York!
New York!
...

3 de maio de 2008

ILUSÕES

Sonolento o velho mágico teimava no seu viciante esconder de lenços coloridos na mão fechada e no tirar moedas de trás das orelhas, num agradável e cadenciado um dois três e voilà. Tirar coelhos da cartola e serrar mulheres parece fácil e óbvio! demasiado óbvio para quem se habituou à crueza da realidade. Esta crueza descasca-o, ilude-o, disseca-o, ameaçando extorquir-lhe toda a sua magia, quando sentado nos desconfortáveis bancos da plateia da vida teima em não se resignar à sua humilde condição.

Um...
Levitamos
sumimos na ilusão quotidiana e corriqueira de um bem querer e não ter.
Esquecemo-nos dos nossos movimentos mágicos
de um prestidigitador dar sem receber.

Dois...
Escuta a Vida!
Esta é a corrida de quem se deixa levar
Na corrente de sabedoria,
dilacerado pelos sonhos que Ela,
insinuante e provocadora,
nos saberá segredar.
Saber escutar.

Neste esconde, resconde... na suave cadência do teu mágico acreditar
Dessa cadeira dura a tua alma vai levitar!

Três...
Desperta! No cruzar desta porta serás feliz:
Do lado de lá, um outro mundo de tudo-ou-nada te espera e alicia
No apaixonante e apaixonado aceitar-se
Que por tanto amor revolver, inibria.

Voilá...
E, naquele transe do cansaço de tanto desesperar, nesse transe do desejo de tudo consolar...
O pano cai...
E a quente cortina de veludo vermelho ondulante nos envolve e seduz.
Deixemo-nos enrolar
Na feliz inocência de
iludidos
nada procurar e tudo encontrar.

Postado por Ela e Pedro

25 de abril de 2008

QUE VALOR?

Porque crescer passa mais por escutar do que por ter certezas...

Quanto vales?
Quando trocas anos de amizade gratuita e generosa pela interessada necessidade de teres um médico na estatística de contratos que o teu patrão te exige...

Quanto vales?
Quando trocas o incómodo Amor sentido, desapegado e verdadeiro (dAqueles que os outros reconhecem e invejam) pela impetuosa procura do prático e imediato consolo dos teus desejos?

Qual o meu valor?
Quando obstinado, me esqueço dos meus limites, e teimo em não parar para me recompor...

Qual o meu valor?
Quando perfeccionista, teimo em acreditar que sou mais aquilo que faço e tenho do que tudo aquilo que vou deixando fazer e vou conseguindo deixar para trás...

Quanto valemos?
Quando trocamos dez minutos de intimidade pela adolação a este trabalho que ambos sabemos que nos tem prendido e escravizado...

Quanto valemos?
Nessa hipócrita maledicência de não se fazer e, criticando, não deixar que se faça... Neste tremendo vazio de egoismo e solidão...

Íncomoda-te?...
Na verdade, sabes que também me incomoda a mim...
Não te critico... Não me critico....
Tão só desafio-me a cair em mim, tão só te desafio a cair em ti...

És bem mais que isso...
Sou bem mais que isto...
Somos muito mais!